Tenossinovite estenosante de De Quervain






A Tenossinovite Estenosante de De Quervain foi descoberta no final do século XIX, no ano de 1895, por um cirurgião suíço chamado Fritz de Quervain, sendo inicialmente chamada de Tendinite de Quervain. Fritz de Quervain descreveu o entorse das lavadeiras, em função de desgastes sobre os tendões dos músculos abdutor longo do polegar e extensor curto do polegar. Posteriormente, esta patologia recebeu o seu nome, em sua homenagem (CHEREM, 1997; AREASEG, 2004).

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Esta doença é decorrente de espessamento do ligamento anular do carpo, no primeiro compartimento dorsal do punho. Sob a bainha sinovial trafegam os tendões dos músculos abdutor longo do polegar e extensor curto do polegar, que com o tempo, evolui um processo inflamatório local, que atinge os tecidos sinoviais peritendinosos e os tecidos próprios dos tendões. Quando friccionados, costumam se inflamar e a inflamação de sua bainha sinovial comum acarretar a estenose dos tendões. Sendo assim, a Tenossinovite Estenosante de De Quervain é uma das patologias mais freqüentes que acomete o punho (CHEREM, 1997).


1.1 FISIOPATOLOGIA

Tomando como referencial a fisiopatologia, estabelece-se que na Tenossinovite Estenosante de De Quervain os tendões dos músculos abdutor longo do polegar e extensor curto do polegar se inflamam em virtude do atrito ou dos movimentos repetitivos dos mesmos, que excedem a capacidade dos tendões de deslizar dentro da bainha comum, dentro do primeiro compartimento dorsal. Os sintomas presentes nesta região são dor sobre o processo estilóide radial e inchaço, além de evoluir como processo inflamatório local, que com o tempo atinge os tecidos sinoviais peritendinosos e tecidos próprios dos tendões, que quando friccionados, costumam se inflamar e a inflamação de sua bainha sinovial comum causar estenose dos tendões (NICOLETTI, 1997; CHEREM, 1997).


1.2 ETIOLOGIA

A Tenossinovite Estenosante de De Quervain pode ser causada por qualquer condição que altere anatomicamente o primeiro compartimento dorsal, ou edema e espessamento dos tendões e bainhas. Os esforços repetidos, traumas repetidos, reumatismo, dentre outros fatores, podem precipitar a doença, mas em muitos casos não há uma causa bem definida (TAVARES JR, 2004)

Freqüentemente, essa patologia está associada a trauma crônico secundário e sobrecarga das atividades diárias das mãos e punho, mas também pode ser causada pela artrite reumatóide, artrite psoriatica, trauma agudo, gravidez e durante o período pós-parto (SANTOS et al, 2002).
Além da Tenossinovite Estenosante de De Quervain ser causada por movimentos intenso e/ou repetitivo, pode também ser causada por posturas viciosas do membro superior, que levam ao desvio ulnar do carpo (NASCIMENTO E MORAES, 2000).


1.3 INCIDÊNCIA

A doença tem maior incidência entre as mulheres na faixa etária entre 30 e 50 anos, na qual as mulheres são acometidas numa razão de 8/1 em relação aos homens, mas as pessoas de qualquer idade e sexo podem vir a apresentar tal doença (ZELTZER, 2000).


1.4 SINAIS E SINTOMAS
Caracterizada pela dor em projeção do processo estilóide do rádio com ou sem irradiação que inicia em projeção radial que chega até o ombro, a Tenossinovite Estenosante de De Quervain afeta principalmente mulheres com idade acima dos 40 anos. A dor evolui com movimentos como os de pinça envolvendo o polegar, assim como com a abdução do mesmo dedo e com desvio ulnar do punho (MENDES, 2003). Dentre os sinais mais evidentes, destaca-se uma pequena tumoração, tal tumoração é visível no lado radial, mais precisamente 2 cm acima do punho. Como tem consistência quase óssea, é com freqüência, confundida como uma exostose (contudo no aspecto radiográfico é sempre normal). Localiza-se principalmente na tumoração o aumento de sensibilidade e crepitação. Outra forma da dor manifestar-se é quando o paciente estende o polegar contra-resistência ou se é aduzido de maneira passiva à região palmar (APLEY, 1996).


1.5 DIAGNÓSTICO CLÍNICO

Em relação ao diagnóstico clínico, é importante que se obtenha radiografias em PA (póstero-anterior) e laterais do punho, a fim de que seja descartada a possibilidade de qualquer patologia óssea. Além disso, uma calcificação associada à tendinite pode ser observada (SNIDER, 2000).
Outros exames complementares que podem ser usados para diagnosticar a doença são: tenografia, ressonância nuclear magnética e ultra-sonografia (ALVES, 2000).


1.6 DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL

As doenças que podem ser confundidas com a Tenossinovite Estenosante de De Quervain são: Artrite da articulação basal do polegar; Cisto sinovial dorsal; fratura do escafóide; Doença de Kienbock; Artrite radioescafóide degenerativa; Artrite triescafóide e Síndrome de intersecção. Em vista da Tenossinovite Estenosante de De Quervain possuir semelhanças com as referidas doenças, torna-se necessário o uso de radiografias, exame físico e teste provocativo para diferenciar a doença (SNIDER, 2000; BROWN E NEUMANN, 1996).


1.7 COMPLICAÇÕES

As complicações que a Tenossinovite Estenosante de De Quervain pode apresentar são: dor crônica, perda da força, perda do movimento do polegar e também, de forma rara, pode ocorrer a ruptura do tendão (SNIDER, 2000). Também podem ocorrer infecção, úlcera, edema crônico, distonia, mioclonia, retração cápsular, atrofia e contratura do segmento acometido (SANTOS et al, 2002).


1.8 CLASSIFICAÇÃO DOS ESTÁGIOS DA PATOLOGIA

1.8.1 Estágio I

Este estágio, que é a fase aguda da patologia, é caracterizado pela presença de dor e sinais flogísticos. Esse estágio também é conhecido como fase hipertrófica, no qual a dor é na maioria das vezes súbita, com característica de ser em “queimação” ou “choque”, podendo atingir a mão, o ombro ou ambos. Existe também a presença de edema, distúrbios vasomotores, hiperemia da pele, sudorese excessiva da pele e hipoestesia em luva (SANTOS et al, 2002).

1.8.2 Estágio II

Sendo a fase subaguda, é caracterizado pela resolução parcial de alguns dos sinais e sintomas do estágio I, tais como dor, edema e hiperemia, sendo seguida de espessamento da pele e da cápsula articular, espessamento e atrofia do tecido subcutâneo, redução da força dos músculos intrínsecos e rigidez com deformidade em flexão dos dedos. Este estágio pode durar de 3 a 6 meses (SANTOS et al, 2002).

1.8.3 Estágio III

Este estágio, que é a fase crônica da patologia, é caracterizado pela presença de deformidade instalada e apresentando seqüelas. Esse estágio também é conhecido como fase atrófica, no qual ocorre instabilidade vasomotora, atrofia e contratura dos segmentos acometidos (SANTOS et al, 2002).
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