Laserterapia no tratamento da tendinopatia do manguito rotador






O ombro é um complexo articular de grande mobilidade, consequentemente pode apresentar certa instabilidade1. Já a cintura escapular é composta por três articulações verdadeiras que são a esternoclavicular, a acrômioclavicular e a glenoumeral e outras duas consideradas pseudo a escapulotorácica e a subacromial2.

 A articulação glenoumeral apresenta capacidade de realizar vários movimentos isolados e de forma combinada tais como: flexão e extensão, adução e abdução e rotação interna e externa além da circundução3. Os músculos desempenham papel importante na estabilização do ombro ou em todo corpo. O supraespinhal, o infraespinhal, o subescapular e o redondo menor, são denominados manguito rotador, tem suas origens na escapula e se inserem nas tuberosidades do úmero, estabilizando assim a glenoumeral4.

    Estima-se que as lesões do ombro ocasionadas no esporte representam de 8% a 13% do total e que 60% dessas lesões são diagnósticas como luxação, torção ou lesões ligamentares5. Em relação à atividade laboral, segundo dados do Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS), os resultados demonstram um aumento dos portadores de distúrbios osteomusculares, chegando a 80% de auxilio acidente e aposentadoria por invalidez6.

    Segundo Andrade et al.7, a patologia relacionada ao manguito rotador podem ser descritas como intrínsecas (primárias) ou extrínsecas (secundárias). A intrínseca e considerada primária, pois corresponde ao processo degenerativo o qual todo ser humano irá passar, onde os tendões sofrem mudanças, diminuindo assim seu aporte sanguíneo para o manguito rotador ou ocasionado por fatores metabólicos gerados pela própria idade. Já os extrínsecos podem ser descritos como fatores de mudança morfológica do acrômio (curvos, planos e ganchosos) os quais formam esporões acromiais levando a impactação subacromial originando as lesões.

    O fisioterapeuta desempenha um papel importante no âmbito do tratamento de educador, ou seja, é de suma importância que o mesmo oriente seu paciente quanto a mudanças de hábitos, obtendo melhora em seu tratamento e que ele seja bem sucedido. Um dos objetivos do tratamento é o alívio da dor, ganho de amplitude de movimento (ADM) e melhora da força muscular (FM), a fim de proporcionar funcionalidade do membro acometido resultando em uma melhor qualidade de vida para o paciente3.

    O uso do laser para fins terapêuticos vem sendo vastamente usado e estudado, pois a laserterapia diminui o processo inflamatório acelerando a cicatrização de diferentes tecidos8. Este processo se da pela liberação de substancias pré-formadas como histamina, serotonina e bradicinina causando modificações enzimáticas, fazendo retardar possíveis reações. Ocorrendo essa transformação bioquímica ocorre um aumento do aporte de ATP, liberando mais sódio-potássio através da bomba causando potencial elétrico no interior e exterior celular9.

    Sabendo então que a laserterapia desempenha um papel importante no alívio da dor e diminuição do edema através do estimulo a micro circulação (inibindo os esfíncter pré capilares) e ativando a Teoria da Comporta da Dor (pelo estimulo nos mecanorreceptores de grosso calibre inibindo a dor nos nociceptores de pequeno calibre).

Dentre os recursos fisioterapêuticos, destaca-se a utilização do laser de baixa potência (AsGa), o qual apresenta efeitos como a diminuição do processo inflamatório, através da inibição de fatores quimiotáticos, modulação dos níveis de prostagladinas, analgesia pelo aumento das endorfinas, aumento do limiar da dor pela teoria da comporta da dor, aumento da microcirculação local do sistema linfático entre outros15;16.



    Gonçalves et al.17 comenta que a fisioterapia propicia tratamento e recuperação dos tecidos orgânicos lesados por vários métodos e técnicas com o objetivo de melhorar o bem-estar físico do individuo. Quando aplicado a laserterapia as células se multiplicam fazendo com que ocorra aumento do metabolismo, isto é possível devido a radiação que vai diretamente à cadeia transportadora de elétrons, acelerando o potencial elétrico através da membrana mitocondrial, promovendo a produção de ATP e ativando a síntese de ácidos nucléicos deixando o metabolismo super acelerado.

    Em um estudo de Casalechi et al.18 foi realizado uma comparação entre a laserterapia, ultrasom terapêutico e eletroestimulação. Observou-se que a laserterapia propicia intensa estimulação na formação de fibroblastos e concentração de síntese de colágeno no tecido lesado quando utilizado o laser AsGa com uma dose de 1 J/cm².

    Souza et al.19 verificou os efeitos dos diferentes recursos eletrotermoterapêuticos (laser AsGa, infravermelho e cinesioterapia) na variável dor avaliada pela escala CR10 de Borg, em 103 indivíduos com Síndrome do Impacto do Ombro de ambos os sexos com idade entre 40 e 65 anos na cidade de Viçosa-MG. Os resultados demonstraram a eficácia do laser no tratamento da diminuição da dor nos portadores da síndrome em relação as outras técnicas utilizadas.

    Em outro estudo realizado também por Souza et al.20 que analisou os efeitos da cinesioterapia associada à aplicação do laser AsGa para a dor, amplitude de movimento em indivíduos com síndrome do impacto. Foram avaliados 69 indivíduos de ambos os sexos de Viçosa-MG, a dor foi avaliada pela escala CR10 de Borg e a amplitude pela goniometria. A análise estatística da dor foi pelo teste de Friedman seguido pelo teste de Wilcoxon para identificar as diferenças significativas. Os resultados mostraram que houve uma melhora significativa nas variáveis de dor e amplitude de movimento quando associado a cinesioterapia e o laser.

    No estudo realizado por Tricca et al.21 na Itália o qual utilizou a laserterapia (AsGa) na síndrome do impacto em 68 pacientes que apresentavam dor também avaliados pela escala visual analógica como no presente estudo se observou nos resultados melhora da sensação dolorosa referida pelos pacientes.

    Porém na pesquisa realizada por Machado et al.22 o qual testou à eficácia do laser AsGa na recuperação de lesões tendineas em equinos utilizando uma dosimetria de 1,5J/cm² durante 10, 20 e 50 dias após procedimento cirúrgico não se observou avaliações significativas na análise histológica entre o membro tratado e o membro controle, o que não corrobora com a presente pesquisa que evidenciou melhora do quadro álgico.

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Referências

  1. Lima GCS; Barboza EM, Alfieri FM. Análise da Funcionalidade e da dor de indivíduos portadores de Síndrome do Impacto, submetidos a Intervenção Fisioterapêutica. Fisioter. Mov. 20(1):61-9, 2007.
  2. Ejnismann B; Monteiro GC; Uyeda LF. Ombro doloroso. Einstin. 6(supl 1):133-7,2008.
  3. Metzker CAB. Tratamento conservador da Síndrome do Impacto no ombro. Fisioter. Mov. 23(1):141-51, 2010.
  4. Kossel MV; Castro FAS; Cruz DF; Fleig TCM. Análise eletromiográfica da porção longa do bíceps braquial em diferentes posições do ombro. Brazilian Journal of Biomotricity 3(2):167-76, 2009.
  5. Silva RT. Lesões do membro superior no esporte. Rev. bras. ortop. 45(2):122-31, 2010.
  6. Mendonça JR HP; Assunção AÁ. Associação entre distúrbios do ombro e trabalho: breve revisão de literatura. Rev. Bras. Epidemiol. 8(2):167-76, 2005.
  7. Andrade RP; Correa Filho MRC; Queiroz, BC. Lesões do manguito rotador. Rev. Bras. Ortop. 39(11/12):621-36;2004.
  8. Chiesa FL. Efeitos da radiação laser de baixa potência sobre a fase inicial do processo de cicatrização tendinosa em ratos. 2006. 88 f. Dissertação (Mestrado em Engenharia Biomédica) – Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento no Programa de Pós-Graduação em Bioengenharia, Universidade do Vale da Paraíba, São Jose dos Campos. 2006.
  9. Rocha JCT. Terapia Laser, cicatrização tecidual e angiogenese. RBPS. 17(1):44-8, 2004.
  10. Marcolino AM; Barbosa RI; Fonseca MCR; Mazzer N; Elui VMC. Reabilitação fisioterapêutica na lesão do plexo braquial: relato de caso. Fisioter. Mov. 21(2):53-60,2008.
  11. Borges DRSC; Macedo AB. Os benefícios da associação da laserterapia e exercícios terapêuticos na Síndrome do Impacto do Ombro: estudo de caso. Saúde CESUC 1(1):2010.
  12. Netto BP; Maior BRS; Oliveira RG; Teixeira ML; Miranda ME. Laserterapia de baixa intensidade no tratamento de Desordens Temporomandibulares. R. Fac. Odontol. 48(1/3):88-91, 2007.
  13. Borato E; Oliveira JJJ; Ciena AP; Bertolini GRF. Avaliação imediata da dor e edema em lesão muscular induzida por Formalina e tratada com Laser 808nm. Rev. Bras. Med. Esporte 14(5):446-9, 2008.
  14. Shibata Y et al. Anti-inflammatory effect of linear polarized infrared irradiation on interleukin-1b-induced chemokine production in MH7A rheumatoid synovial cells. Lasers Med Sci 20:109-13, 2005.
  15. Say KG; Gonçalves RC, Renno ACM, Parizatto NA. O tratamento fisioterapêutico de ulceras cutâneas venosas crônicas através da laserterapia com dois comprimentos de onda. Fisioter Bras. 4(1):39-48, 2003.
  16. Venâncio RA; Camparis CM; Lizarelli RFZ. Laser no tratamento de Desordens Temporomandibulares. J. Bras. Oclusão, ATM, Dor Orofac. 2(7):229-34, 2002.
  17. Gonçalves RV; Mezêncio JMS; Neves CA; Mata SLP; Pinto MVM; Vilela EF. Influência do laser arseneto de gálio e arseneto de gálio-alumínio e pomada cicatrizante sobre leucócitos sangüíneos de ratos Wistar após lesão cutânea. Fisioterapia Brasil. 10(3):198-202, 2009.
  18. Casalechi HL; Louzada JM; Casalechi VL; Arisawa EAL; Nicolau RA. Reparação tecidual de tendão (Revisão de Literatura). In: XI Encontro Latino Americano de Iniciação Científica e VII Encontro Latino Americano de Pós-Graduação, 2006, São José dos Campos - SP. p. 1837-40.
  19. Souza APGF; Silva EB; Martinho KO; Dantas EHM. The effects of different resources fototherapeutic on the pain in individuals bearers of syndrome of the impact of the shoulder. Fitness & Performance Journal. 5(6):354-8, 2006.
  20. Souza APGF; Dantas EHM; Silva EB; Martinho KO; Mesquita MG. Kinesiotherapy associated with laser GaAs application in shoulder-rotator cuff syndrome. Laser Physics. 17(3):286-9, 2007.
  21. Tricca C; Gambini A. La laserterapia nel trattamento delle periartriti scapolo-omerali. Università degle studi di Roma. 1997.
  22. Machado MVM; Vulcano LC; Hussni CA; Alves ALG. Efeito da laserterapia em tendinite experimental no tendão flexor digital superficial em eqüinos: Estudo histológico e ultra-sonográfico. Archives of Veterinary Science. 5:111-5, 2000.


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